Para Lula, seleção precisa se prevenir contra olho gordo

Para Lula, seleção precisa se prevenir contra olho gordo

A seleção brasileira de futebol, por ter demonstrado um crescimento na partida de domingo contra a Costa do Marfim, tem agora de preocupar-se com o “olho gordo”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira.

“Penso que nós agora precisamos ficar mais espertos, porque quanto mais o Brasil cresce, mais os olhos gordos vão ficar olhando o Brasil”, disse Lula, no programa de rádio semanal “Café com o presidente”.

Lula elogiou o desempenho do time na vitória por 3 x 1 sobre os marfinenses. Para ele, a seleção teve o “controle” da partida e os resultados são “muito satisfatórios”. “Se o Brasil continuar assim, fique certo que o Brasil terá um lugar garantido na final.”

O presidente também elogiou o atacante Luís Fabiano e defendeu o meia Kaká, expulso do jogo de domingo.

“o Luís Fabiano desencantou marcando um gol belíssimo”, comentou. “A expulsão do Kaká foi uma atitude, eu diria, quase que impensável do juiz, porque o Kaká não fez nada no jogador.”

Kaká foi expulso da partida após bater o cotovelo no peito de um adversário, que caiu no chão com as mãos no rosto.
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O Brasil chega como favorito

Quando Carlos Alberto Parreira deixou o comando da seleção brasileira após a Copa do Mundo da FIFA Alemanha 2006, poucos esperavam que a CBF chamasse Dunga para o cargo. Afinal de contas, ele não tinha experiência como treinador.
Entretanto, o ex-xerife do meio de campo já havia mostrado as qualidades de líder durante a carreira de jogador, especialmente como o capitão vociferante e incentivador que levou o Brasil ao título da Copa do Mundo da FIFA nos Estados Unidos em 1994. Diferentemente da maioria dos jogadores brasileiros, Dunga compensava a falta de talento natural com uma forte marcação e excelente posse de bola, registrando a marca de 91 atuações pelo país entre 1987 e 1998.

Logo ficou aparente que Dunga não iria selecionar os jogadores pela fama ou pelas conquistas de cada um deles. Ao contrário, e de forma corajosa, o gaúcho passou a não convocar vários craques brasileiros de renome.

Dunga foi imbatível nas primeiras seis partidas comandando a Seleção, incluindo a vitória por 3 a 0 sobre a rival Argentina que levantou o espírito dos brasileiros. A primeira derrota veio no confronto com Portugal em fevereiro de 2007, pelo placar de 2 a 0. O primeiro grande teste do técnico aconteceu na Copa América de 2007, na Venezuela, quando após ter perdido do México logo na sua primeira partida da competição, Dunga levou a equipe até a final e novamente venceu a Argentina por 3 a 0.

O Brasil teve a sua cota de problemas durante as eliminatórias para a África do Sul 2010. Os três empates consecutivos em 0 a 0 obtidos em casa colocaram muita pressão sobre os ombros de Dunga, mas o ex-campeão mundial rapidamente mostrou o seu valor de forma enfática, conduzindo a seleção canarinho ao título invicto da Copa das Confederações da FIFA de 2009 na África do Sul e terminando as eliminatórias sul-americanas na primeira colocação com algumas boas exibições, particularmente as vitórias fora de casa contra o Uruguai por 4 a 0 e a Argentina por 3 a 1.

Numa Copa do Mundo da FIFA, dizer que o Brasil chega como favorito é quase uma redundância. Para os donos de cinco títulos mundiais, não existe opção que não a de brigar por mais uma estrela para a camisa amarelinha. Com alguém que defendeu a Seleção como jogador em três Mundiais, o técnico Dunga sabe a pressão que o aguarda: qualquer resultado que não o hexacampeonato tem grande chance de ser considerado fracasso.

O caminho à África do Sul

A reação da torcida durante as Eliminatórias mostra bem a exigência existente no país. Apesar de terminar na liderança, com nove vitórias, sete empates e duas derrotas, e de ter se classificado com três rodadas de antecedência, a Seleção escutou um bocado de vaias, como na sequência de empates em 0 x 0 em casa – contra Argentina, Bolívia e Colômbia. O time engrenou mesmo a partir de abril de 2009, quando somou cinco vitórias consecutivas, duas delas históricas: 4 x 0 sobre o Uruguai no Centenário de Montevidéu e 3 x 1 sobre a Argentina em Rosário; partida que confirmou a passagem para a África do Sul.

As estrelas

Não é fácil apontar um ou outro nome num país com tanto talento, mas o ano de 2009 serviu para ratificar a importância de alguns jogadores como o goleiro Júlio César, retrato da forte defesa. A campanha na Copa das Confederações da FIFA também consagrou Kaká, que assumiu a condição de líder e levou a Bola de Ouro da adidas, e Luís Fabiano, artilheiro com cinco gols, incluindo dois na virada por 3 x 2 sobre os Estados Unidos na final.

O técnico

Quando assumiu o cargo em agosto de 2006, Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, já havia vivido de tudo como jogador da Seleção: de ser considerado um dos culpados pela decepção na Copa de 90 à alegria de levantar a taça quatro anos depois. Mas a missão de comandar o Brasil foi nada menos que seu primeiro trabalho como treinador. Dunga rebateu as críticas à falta de experiência e à formação supostamente defensiva de forma irrefutável: ganhando. Foi campeão da Copa América 2007 e da Copa das Confederações e classificou os brasileiros ao Mundial com sobras.

Participação anterior

O Brail chegou à Alemanha em 2006 como favorito absoluto para defender o título conquistado em 2002. O mundo estava ansioso para se encantar com o “Quadrado Mágico” formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Embora tenha mostrado apenas relances de magia, o time de Carlos Alberto Parreira bateu Croácia, Austrália e Japão na primeira fase e Gana nas oitavas e chegou às quartas para um reencontro com a França de Zinedine Zidane. Mas a chance de vingar a final de 1998 virou outra decepção com um gol de Thierry Henry, que frustrou o sonho do sexto título mundial.
Números

>> O Brasil chega à sua 19ª Copa do Mundo da FIFA consecutiva. É o único país que disputou todas as edições.

>> O país é também o único com cinco títulos: soma um total de 64 vitórias, 14 empates e 14 derrotas em 92 jogos.

>> Entre 15 de junho de 2008 e 11 de outubro de 2009, a Seleção teve uma série invicta de 19 partidas.

>> O Brasil já terminou 12 anos na liderança do Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola.

O que eles disseram:

“Temos que aprender a viver com a condição de favoritos. Não podemos deixar que isso se torne algo negativo, como já aconteceu em anos anteriores.” – Kaká, após vitória sobre a Argentina que valeu a classificação

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Após empate na estreia, Costa do Marfim está pronta para Brasil

Após empate na estreia, Costa do Marfim está pronta para Brasil

O empate sem gols contra Portugal deu à Costa do Marfim a confiança que precisava para enfrentar o Brasil no domingo, especialmente com a provável volta do astro Didier Drogba ao time titular.

A equipe africana dominou sua partida de estreia no Grupo G do Mundial contra uma frustrante equipe portuguesa. Os marfinenses tiveram a bola na maior parte do tempo e mostraram uma solidez defensiva que até mesmo a estrela de Portugal Cristiano Ronaldo não conseguiu superar.

Drogba, que fraturou o braço às vésperas do Mundial e entrou na partida aos 21 minutos do segundo tempo, se disse impressionado com a qualidade defensiva mostrada pela sua equipe contra Portugal, mas disse que será preciso marcar gols contra o Brasil.

“Será um jogo difícil e o que precisamos mudar é marcar gols. Precisamos defender da mesma forma e talvez tentar melhorar o mano-a-mano, e ter mais oportunidades”, disse o jogador de 32 anos a repórteres.

Drogba é visto como peça essencial para as pretensões marfinenses se avançar às oitavas-de-final pela primeira vez na história, após cair na primeira fase diante de Argentina e Holanda na estreia do país em uma Copa do Mundo há quatro anos.

O atacante –que ajudou o Chelsea a conquistar os títulos do Campeonato Inglês e da FA Cup, além de ser artilheiro do Campeonato Inglês na temporada passada– disse que está bem para enfrentar o Brasil.

“Ter Drogba em campo é muito importante para nós… ele estará ainda mais preparado para a próxima partida”, disse o técnico da Costa do Marfim, Sven-Goran Eriksson.

Embora tenha elogiado a organização e a disciplina de seu time contra Portugal, o treinador disse que ambas as seleções estavam preocupadas em não perder na estreia e que devem atacar mais em seus próximos jogos no chamado “grupo da morte”.

Os elefantes devem criar dificuldades para os pentacampeões do mundo, que iniciaram sua campanha no Mundial com uma vitória magra por 2 x 1 sobre a Coreia do Norte, seleção que tem a pior posição no ranking da Fifa entre as que estão na África do Sul.

“Contra o Brasil precisamos nos defender muito bem, e tentar quebrar o contra-ataque deles”, disse o defensor da seleção marfinense Kolo Touré.

A Costa do Marfim enfrenta o Brasil no estádio Soccer City, em Johanesburgo, no domingo, antes de encarar a Coreia do Norte em Nelspruit, no dia 25 de junho.

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Estreias apertadas: 2 a 1 sobre Coreia do Norte

Estreias apertadas: 2 a 1 sobre Coreia do Norte

Durante 55 minutos, o Brasil deu a impressão de que seria atingido pela seca de gols nesta Copa do Mundo. Teve uma atuação burocrática no primeiro tempo e adotou outra postura após o intervalo, afastando o assustador 0 a 0 e conseguindo dois belos gols. Um descuido defensivo no fim da partida, no entanto, determinou o placar por 2 a 1 sobre a Coreia do Norte, mantendo a sua tradição de vitórias apertadas em estreias. Desde 1982, o Brasil tem 100% de aproveitamento em suas participações iniciais, mas quase sempre por um gol de diferença – a exceção foi em 1994.

O resultado faz a seleção pular para a liderança do Grupo G, superando Costa do Marfim e Portugal, que empataram por 0 a 0. Os dois gols brasileiros nasceram em passes milimétricos e terminaram em conclusões precisas. Maicon, eleito o melhor do jogo pela Fifa, abriu o placar e se tornou o primeiro lateral-direito da seleção a marcar em uma Copa desde Josimar, em 1986. E Elano fez o segundo.

O Brasil agora volta aos treinamentos para a sua segunda partida pelo Grupo G, às 15h30m (de Brasília) do próximo domingo, contra Costa do Marfim. Na segunda-feira, a Coreia do Norte tenta evitar sua segunda derrota seguida na Copa, enfrentando Portugal às 8h30m (de Brasília).

Melhor em campo, Maicon comemora o seu gol, o primeiro do Brasil, junto com Robinho (Foto: Reuters)

A previsão de frio na noite de Joanesburgo se confirmou, com 2º no começo da partida (e sensação térmica de -3º), obrigando cinco dos dez jogadores de linha na escalação inicial a usar luvas: Juan, Gilberto Silva, Felipe Melo, Kaká e Luis Fabiano. Na arquibancada, a torcida fez a sua parte, tentando esquentar o clima com seu grito preferido de “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” e dando a impressão de que a seleção estava em casa.

Elano espera a aproximação dos companheiros após

A ansiedade e a emoção de disputar a partida de estreia em uma Copa do Mundo ficaram evidentes antes mesmo de a bola rolar. Estavam estampadas no rosto do atacante Jong Tae-Se, destaque da Coreia do Norte, que chorava copiosamente na execução do hino nacional. Mas ficaram claras também pelo lado brasileiro, com o nervosismo de alguns jogadores. Logo no início, após dois ataques norte-coreanos pela esquerda da defesa, por exemplo, Juan chamou Michel Bastos para orientá-lo.

Após uns primeiros minutos de nervosismo, mas também de disposição para chegar ao ataque, o Brasil começou a encontrar dificuldades para entrar na área. O jeito foi buscar conclusões mesmo sem chegar a ela, em chutes de longe. Robinho foi o primeiro a tentar, seguido por Elano, ambos sem perigo. As melhores tentativas foram de Maicon, obrigando o goleiro a espalmar para escanteio, e de Michel Bastos, com a bola passando perto do travessão e raspando a rede.

A Coreia do Norte se postava com duas linhas de quatro jogadores próximas à área e se beneficiava da pouca movimentação dos brasileiros, que perdiam muito tempo tocando a bola para o lado, sem avanços pelas laterais. Kaká, principal responsável pela armação de jogadas, foi uma figura apagada na primeira etapa.

Enquanto durou a insistência em jogar pelo meio, o Brasil só conseguiu uma boa jogada, num passe de Luis Fabiano para Robinho, que virou e chutou fraco. Nos últimos dez minutos, o time comandado por Dunga – que assistia à partida sem reações exaltadas – enfim começou a explorar as laterais. Até Michel Bastos, visivelmente tímido no início, foi à linha de fundo – a primeira vez, aos 34 minutos. A opção mais explorada, no entanto, foi mesmo pela direita, com Maicon.

Na Coreia do Norte, a estratégia no primeiro tempo foi recorrer a contra-ataques, apostando no isolado Jong Tae-Se, que conseguiu boas jogadas individuais – deixando Juan no chão em uma delas – mas nenhuma conclusão à altura. A tentativa mais ousada, entretanto, foi de Mun In-Guk, que arriscou um chute do meio-campo. Não levou perigo algum, mas mostrou que àquela altura, aos 18 minutos, a Coreia já se soltava em campo.

Mudança de postura na segunda etapa

O Brasil voltou para o segundo tempo sem alteração, mas com as principais alternativas se aquecendo fora de campo. Se foi um aviso de Dunga de que trocaria alguma peça caso os defeitos do time persistissem, a estratégia funcionou. A seleção se esforçou em corrigir seus principais problemas, mostrando mais movimentação e explorando as laterais. E foi recompensada aos dez minutos. Elano esperou a ultrapassagem de Maicon e deu ótimo passe. Da linha de fundo, com pouco ângulo, o lateral percebeu que Myonge Guk deixava espaço em sua meta à espera de um cruzamento e arriscou direto para o gol, fazendo 1 a 0.

A vantagem no placar fez bem à seleção, de maneira geral, e a alguns jogadores, em particular. O time continuou se movimentando em campo, e nomes como Michel Bastos e Luis Fabiano subiram de produção. O primeiro emendou, em um só lance, um drible entre as pernas e uma meia-lua pela lateral. O segundo esteve perto de fazer 2 a 0, após um passe de Robinho, em uma rara jogada de contra-ataque. Matou no peito, driblou um adversário, mas chutou por cima do gol.

fazer 2 a 0 para a seleção (Foto: Reuters)

Da intermediária, Robinho acertou outro passe, espetacular, para Elano chutar sem precisar dominar, marcando o segundo gol do Brasil, aos 26 minutos. Foi o último lance do meia, que na primeira etapa havia sido um dos que mais tentaram fugir da atuação burocrática. Daniel Alves entrou em seu lugar. Cinco minutos depois, Nilmar substituiu Kaká, forçando o posicionamento mais recuado de Robinho, o que já vinha acontecendo.

Em seu primeiro lance em campo, Nilmar recebeu passe, buscou espaço e chutou para defesa do goleiro. A essa altura, o domínio brasileiro na partida era completo, transformando Julio Cesar em um mero espectador. Dunga ainda fez sua terceira substituição, trocando Felipe Melo por Ramires, que levou o único cartão amarelo da partida. No finzinho do jogo, a Coreia ameaçou duas vezes. E em uma delas conseguiu marcar, após lançamento do meio-campo que terminou com a conclusão de Yun Nam, aos 43 minutos, sem chance para o goleiro brasileiro.

A seleção deixou o campo do Ellis Park com seu principal objetivo cumprido. Somou três pontos, mas não obteve o bônus de uma boa margem no saldo de gols contra a seleção de pior colocação no ranking da Fifa (105º lugar) entre as 32 participantes.

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Para Márquez, fase ruim faz da França um time mais perigoso

Para Márquez, fase ruim faz da França um time mais perigoso

JOHANESBURGO – A seleção francesa pode ser ainda mais perigosa que o normal porque não mostra a várias partidas seu verdadeiro nível, disse na terça-feira o zagueiro mexicano, Rafa Márquez, sobre o próximo rival do México na Copa do Mundo.

México e França se enfrentarão na quinta-feira em Polokwane pela segunda rodada do Grupo A, também formado por Uruguai e África do Sul.

O “Tri” chega à partida depois de empatar em 1 x 1 com a seleção anfitriã na partida de abertura do torneio, enquanto os “Bleus” vêm de um fraco 0 x 0 com o Uruguai.

“Sabemos da potência e da qualidade dos atacantes deles. São grandes jogadores com grandes qualidades, não podemos confiar na falta de gols deles”, disse Márquez em entrevista coletiva.

“Eles não estão passando por uma boa fase, mas podem mudar essa situação a qualquer momento”, disse o jogador, que atua no Barcelona, da Espanha.

A França se classificou para a Copa do Mundo com um gol polêmico na repescagem contra a Irlanda, oriundo de uma jogada em que o atacante Thierry Henry dominou a bola com a mão antes de dar assistência para William Gallas marcar.

“Eles são fortes no ataque e na defesa. Estão em um nível em que não estamos acostumados a vê-los. Essas circunstâncias fazem da França um time mais perigoso.”

(Reportagem de Javier Leira)
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Show de abertura da Copa – Milhares dançam

Show de abertura da Copa – Milhares dançam

SOWETO, África do Sul (Reuters) – Milhares de pessoas dançaram na quinta-feira dentro do estádio Orlando, em Soweto, subúrbio de Johanesburgo, num inédito show de Copa do Mundo, na véspera da abertura oficial do evento.

Apesar do frio, o público vibrou com a presença de jogadores e de astros locais e internacionais da música.

“Todo o mundo veio a Soweto (…), e o futebol foi uma das coisas que ajudaram as pessoas a perceberem que estamos conectados – esse esporte maravilhoso uniu o país”, disse à Reuters will.i.am, da banda norte-americana Black Eyed Peas, antes de subir ao palco. “Isto é a humanidade se unindo.”

O show foi transmitido ao vivo para o mundo inteiro. Entre as atrações estiveram Alicia Keys, Angelique Kidjo e Vusi Mahlasela. A colombiana Shakira cantou o hino oficial da Copa, “Waka Waka (This time for Africa)”, com o grupo sul-africano Freshly Ground.

Crianças e idosos agitavam bandeiras sul-africanas e cantavam a canção “Shosholoza”, habitual nos estádios. O clima nesse estádio para 30 mil espectadores lembrava o de 1995, quando a África do Sul, então recém-libertada de décadas de apartheid, venceu a Copa do Mundo de rúgbi. O evento foi visto como um fator de união para o país.

“Isto é a história sendo feita. Há apenas 15 anos não tínhamos certeza sobre a nossa identidade, mas eis-nos aqui como uma nação”, disse a bancária Vanitha Govender, 44 anos.

Shimmy Jiyane, líder do Coral Gospel de Soweto, disse que o mundo estava vendo a “nação arco-íris” que é a África do Sul.

“A luta (contra o apartheid) começou aqui em Soweto (…), e agora Soweto nós chamamos de Hollywood – temos shoppings, temos belos campos de futebol, temos trens – você não tem medo de ir a lugar algum, porque é bonito estar aqui.”

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse que “a África está mostrando ao mundo que é capaz de realizar qualquer coisa, como qualquer outra região. A África está recebendo este torneio, a África do Sul é justamente o palco”.

A arrecadação do show será destinada a 20 instituições de todo o continente que oferecem saúde, educação e aprendizado do futebol em comunidades carentes, o que é uma campanha social oficial da Fifa durante a Copa.

Ovacionado pela multidão que gritava seu nome, o arcebispo Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz de 1984, apareceu todo vestido de verde e amarelo – cores da seleção nacional – e resumiu assim o seu sentimento: “É como se eu estivesse sonhando – me acordem! Obrigado por ajudarem esta lagarta feia que éramos a virar uma lindíssima borboleta”.

Esta é a primeira vez que a Copa acontece na África. A partida inaugural, na sexta-feira, será entre África do Sul e México. A final está marcada para 11 de julho.

(Reportagem adicional de Serena Chaudhry e Agnieszka Flak)
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