Empresa brasileira, com sede na Jordânia, blinda supervans que estão na zona de conflito.

Brasileiro blinda carros americanos para andar no Iraque
Empresa brasileira, com sede na Jordânia, blinda supervans que estão na zona de conflito.Empresário já escapou de emboscada das milícias iraquianas.

O empresário paulistano Maurício Junot tem um papel importante na missão do Exército dos Estados Unidos no Iraque. Junot dirige a empresa HPC Blindados, com unidade na Jordânia (Oriente Médio) onde produz os carros blindados que garantem a segurança de executivos e membros do governo norte-americano nas incursões em território iraquiano.

Vidro blindado resiste a tiros de AR-15 e 9 mm. Assista vídeo ao lado
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A fábrica foi instalada na Jordânia, em 2005. Até hoje, Junot e outros 30 brasileiros já blindaram 350 supervans. O empresário diz que já recebeu agradecimentos por garantir a segurança de muita gente. “Uma vez um carro de um general dos Estados Unidos sofreu um atentado e levou centenas tiros. Ele me ligou e disse: você salvou minha vida”, ressalta Junot.

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Carro blindado no comboio em que estava Maurício Junet é atingido no Iraque (Foto: Divulgação)
Os carros usados nos territórios de guerra têm níveis máximos de blindagem. O empresário brasileiro faz questão de conferir de perto o resultado da proteção fornecida aos militares de alta patente e executivos de grandes companhias norte-americanas. Para isso, “nada melhor que ser atacado em uma emboscada e testar se funciona de verdade”, diz o paulistano.

Junot lembra do dia em que acompanhou um comboio com soldados norte-americanos e um dos carros foi atacado com centenas de tiros e, para piorar, “ou melhorar”, como gosta de frisar, caiu em uma mina. “Não aconteceu nada com a parte de proteção do automóvel, com o cock-pit. Todos foram salvos”, afirma orgulhoso. Os carros blindados para andar no Iraque chegam a receber até três toneladas e meia de aço e o preço não sai por menos de US$ 500 mil. “São níveis que superam todos os tipos de armamentos, como AK 47, M16, M80 e, de quebra, ainda podem soltar fogo, granada, ter metralhadora no teto, etc”, destaca Junot.

Esses são tipos de blindagem escolhidos também, por exemplo, pelo ministro do Petróleo do Iraque, Mohamad Al Jabory, um dos clientes da empresa. Para se ter uma idéia do clima de conflito, o empresário destaca que 32% dos carros que sua empresa fez no Iraque foram atacados, contra 4% no Brasil. “Muitas vezes os veículos que produzimos na Jordânia nem chegam no Iraque. Na metade do caminho já sofrem um atentado”, comenta.