Uma derradeira palavra sobre uma cruzada que não me dá espareças

Uma derradeira palavra sobre uma cruzada que não me dá espareças

Fonte: Uma derradeira palavra sobre uma cruzada que não me dá espareças

Uma derradeira palavra sobre uma cruzada que não me dá espareças
A TV GLOBO como as demais emissoras de televisão são concessões públicas. Portanto, uma sociedade com a sociedade.

Devem respostas de conteúdo social à sociedade que lhes permite existir, manter as suas programações e ganhar muito dinheiro.

“Uma derradeira palavra sobre uma cruzada que não me dá espareças “

Por excesso de competência comercial, por excesso de aproveitamento dos fenômenos sócio-urbanos, por exagero em exibir a desgraça da própria sociedade que lhes dá vida, prestígio e longevidade.

Ao abusarem do poder da audiência, inspiradas numa arrogância indescritível para criar produtos de televisão e formatos de telejornais, os profissionais que estabelecem as receitas dos programas também se nutrem de certo desprezo pela população mais pobre, mais humilde, analfabeta, mais sem recursos intelectuais de compreender e reagir imediatamente a ataques sub-reptícios de imposição de modismos e exploração humana e cultural das comunidades e das tradições do país.
Uma derradeira palavra sobre uma cruzada que não me dá espareças Ao abusarem do poder da audiência, inspiradas numa arrogância indescritível para criar produtos de televisão e formatos de telejornais
Uma derradeira palavra sobre uma cruzada que não me dá espareças
Ao abusarem do poder da audiência, inspiradas numa arrogância indescritível para criar produtos de televisão e formatos de telejornais

A comunicação torna-se refém, presa, de entendidos do assunto. Criaram o veneno de um sujeito sem rosto nem coração chamado mercado: a ele, devotam tudo, e, por ele, vendem a qualquer preço a própria mãe.
A maneira estúpida como escolhem assuntos e pautas para maior ou menor valorização dos espaços em telejornais, por exemplo, faz com que os núcleos das televisões exacerbem o seu lado mais cruel naquilo que significa refletir os valores morais de um povo.

Despreza-se o consenso em troca da superficialidade. No lugar da fala formadora de opinião, o remelexo frugal. As dolorosas desgraças de Minas e Paris escancararam uma ferida nacional que nunca se fecha: as desgraças dos outros são mais importantes do que as nossas.

A cobertura que ainda assistimos, fermentou este conceito perverso. Não houve equilíbrio nem solicitude profissional ao se avaliar os territórios de dor dos dois flagelos. Falou mais alto a imposição comercial e uma avaliação equivocada das barbaridades, que culminou nisso: higienizaram o noticiário. Para Paris tudo. Para Minas o possível.

Apresentadores chorando na apresentação da chacina inominável do Bataclan e cercanias, e de olhos secos chamando as matérias sobre a desgraça mineira que enterrou o Rio Doce, não foi falta de sensibilidade. Foi ignorância sobre a natureza dos fatos e sua capilaridade interracial, humana, global.

O jornalismo não pode, em nome de nada, de ninguém, influir no trajeto da notícia. Não fossem as nossas vozes, os nossos gritos, e Minas teria se perdido no vaticínio deprimente do que em TV, chamamos de stand by: o que sobra, a notícia que espera, a que fica, a que não é primordial, a que pode se jogar no esquecimento. Como a Tv Globo é altamente preparada tecnicamente, uma das 4 maiores e melhores do planeta, altamente preparada operacionalmente, e competente em suas produções desde que não se envolvam em seus meandros política e interesses de grupos financeiros, óbvio que se façam elogios e criticas a ela, e daquilo que dela possa resultar de mal ou péssimo ou algum benefício para a sociedade civil, enquanto geradora de informação e entretenimento. Claro, uma empresa que tem telhado de vidro. E quem tem telhado de vidro não pode sair pelas ruas jogando pedras nas casas de vizinhos.

As outras, periféricas, com algum valor, não escondem sobre a própria desnaturada arrogância, valores discutíveis. Salvam-se alguns colegas meus, éticos, corretos, sempre na berlinda da demissão por defenderam a verdade. Poderia salvar-se a Tv Cultura de São Paulo, celeiro de inteligências, de profissionalismo em televisão, se não fossem os discutíveis critérios que norteiam a mais antiga TV pública brasileira, sempre refeita a cada arroto ou dor de barriga de cada governador que ocupa o Palácio dos Bandeirantes. Pagos, os governadores e a própria TV, com o dinheiro da população. Os assassinos acertaram os alvos da alma de Paris. Os assassinos atingiram, em cheio, o coração do povo brasileiro matando o Rio Doce.

Para aqueles, perseguição, punição, ferocidade dos que foram ofendidos e seus aliados. Para estes, um acordo, papéis assinados e tapinha nas costas até a próxima tragédia, com cafezinho e ar condicionado. Ninguém vai pra cadeia, apesar dos crimes merecerem prisão perpétua, como o será a devastação ambiental, para sempre. A partir de agora, cada um que chore como puder, reze como puder, apegue-se ao que puder. E tudo se acabará em vingança e em impunidade. Uma merda. E só.

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s