Em discurso na ONU, Dilma exalta conquistas do governo

Em discurso na ONU, Dilma exalta conquistas do governo.

 Presidente Dilma Rousseff discursa na Assembleia-Geral da ONU na sede da organização em Nova York. 24/9/2014 REUTERS/Mike Segar

A presidente Dilma Rousseff usou o discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira, para ressaltar as conquistas do Brasil nos últimos 12 anos, apesar de reconhecer que a crise internacional impactou o crescimento econômico do país.

 

Aécio para de subir

Aécio para de subir.

 

SÃO PAULO  – O quadro eleitoral permaneceu praticamente inalterado, mostrou pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, com a presidente Dilma Rousseff (PT) melhorando nas variações registradas, mas dentro da margem de erro, e chegando ao empate numérico com Marina Silva (PSB) em simulação de segundo turno.

Para o primeiro turno, Dilma lidera com 38 por cento das intenções de voto, ante 36 por cento na semana passada, seguida por Marina, que passou a 29 por cento (ante 30 por cento) e Aécio Neves (PSDB), que permaneceu com 19 por cento. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

O pastor Everaldo (PSC) manteve 1 por cento das intenções de voto, enquanto todos os candidatos restantes somados chegaram a 2 por cento. Os votos brancos e nulos permaneceram em 7 por cento, enquanto os indecisos passaram a 5 por cento, ante 6 por cento.

Em simulação de segundo turno, Dilma oscilou 1 ponto para cima e foi a 41 por cento, empatando com Marina, que oscilou 2 pontos para baixo, dos 43 por cento que tinha na semana passada.

 

 

Marina cai e disputa com Dilma

Marina cai e disputa com Dilma.

 Candidatos à  Presidência Marina Silva, Dilma Rousseff e Aécio Neves antes de debate na Band, em São Paulo. REUTERS/Paulo Whitaker

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, perdeu terreno na disputa eleitoral, segundo pesquisa do CNT/MDA divulgada nesta terça-feira, que mostrou ainda um acirramento em um eventual segundo turno entre a ex-senadora e a presidente Dilma Rousseff e uma recuperação do candidato do PSDB, Aécio Neves, no primeiro turno.

O levantamento do MDA, encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostrou Dilma com 36 por cento das intenções de voto no primeiro turno, uma oscilação negativa em relação aos 38,1 por cento que ela tinha no início de setembro.

 

 

Dilma diz que ida de ex-diretor da Petrobras à CPI não preocupa

Dilma diz que ida de ex-diretor da Petrobras à CPI não preocupa.

Dilma Rousseff autografa o macacão do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Dilma Rousseff, Gabrielli (esq), Graça Foster

BRASÍLIA (Reuters) – A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, afirmou neste domingo que não preocupa a presença do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

Costa foi convocado após denúncia de suposto esquema de repasse de recursos da estatal a políticos.

“Eu acho que esse é o tipo da decisão que o Executivo não tem de se meter. Se for decidido que ele vai, ele deve ir. Se for decidido que ele não vai, ele não deve ir. Nós não temos nenhuma expectativa ou preocupação em relação a isso”, disse a jornalistas em entrevista no Palácio da Alvorada, ao ser perguntada se concordava com a ida do ex-diretor à CPI do Congresso.

A comissão parlamentar investiga denúncias de irregularidades na estatal, entre elas a compra de refinaria em Pasadena (EUA), mas parlamentares aprovaram na semana passada pedido para convocação do ex-diretor, que deve comparecer na quarta-feira.

O depoimento foi marcado após terem sido divulgadas informações sobre suposto esquema de corrupção na Petrobras envolvendo políticos.

Costa teria revelado em depoimentos à Polícia Federal, mediante delação premiada, suposto esquema de repasse de recursos da Petrobras para partidos e para políticos da base aliada.

A reunião na comissão poderá ser fechada, caso o ex-diretor da Petrobras concorde em fazer novas revelações.

 

O ex-diretor, que saiu da estatal em 2012, está preso desde junho no Paraná devido a acusações decorrentes da operação Lava Jato da PF, que investiga esquema de lavagem de dinheiro.

 

Governo reconhece ‘racismo institucionalizado’ apontado pela ONU

Governo reconhece 'racismo institucionalizado' apontado pela ONU
Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, é um dos exemplos da falta de saneamento em locais de predominância negra

Da BBC Brasil em São Paulo

As Nações Unidas concluem que o país vive um “mito de democracia racial” e que há “racismo institucionalizado” e uma “ideologia de embranquecimento” na sociedade brasileira.
Tanto a ONU quanto o governo, entretanto, também destacam avanços nas políticas para afrodescendentes no Brasil.

Segundo o Planalto, a implementação de cotas raciais na educação e no serviço público e a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra foram medidas importantes no processo de reversão deste problema histórico no país.
A ONU concorda e diz que os principais avanços ocorreram durante o governo do ex-presidente Lula.

As críticas do relatório e o posterior “mea culpa” são resultado da visita de um grupo de trabalho da ONU a Brasília, Pernambuco, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, em dezembro do ano passado.

Os especialistas foram recebidos por representantes do governo, do judiciário e de organizações da sociedade civil.

Desigualdade

O texto do relatório informa que “o racismo permeia todas as áreas da vida no país” e que é difícil para os negros discutir o tema, já que “o país vive um mito de democracia racial”.

Segundo a ONU, o desemprego é 50% maior entre afrodescendentes e a média salarial dos brancos, por sua vez, é o dobro do salário dos negros.

Enquanto a expectativa de vida entre os negros não passa de 66 anos, a dos brancos é seis anos maior. Mais da metade dos negros não tem saneamento básico adequado no país – a média chega a 3 em cada 10 brancos.

As Nações Unidas reconhecem que o país conta com “diversas instituições para a promoção da igualdade social” e “diversos avanços expressivos foram feitos na legislação sobre a igualdade racial”, especialmente nos últimos dez anos.
Crianças no complexo da Maré, no Rio de Janeiro

Maré, no Rio de Janeiro
Crianças no complexo da Maré, no Rio de Janeiro

“Os mecanismos de reprodução das desigualdades raciais se atualizam no Brasil. O reconhecimento do papel estruturante do racismo é o principal fator para que a atual gestão apoie decididamente ações afirmativas para produzir as mudanças que, por longo tempo, foram impedidas de acontecer na sociedade brasileira”, disseram os porta-vozes do governo à reportagem da BBC Brasil.

“Esses ganhos ainda são acompanhados pela persistência das desigualdades raciais”, afirma o governo federal. Segundo o Planalto, as diferenças entre brancos e negros demandam “um renovado esforço de articulação de iniciativas capazes de neutralizar seus efeitos deletérios sobre as oportunidades de inclusão que se abrem no Brasil de hoje”.
“É um processo”, diz a pasta.

‘Ideologia de embranquecimento’

Entre os resultados da pesquisa, a ONU aponta que a educação é uma das principais áreas de discriminação e uma das principais fontes de desigualdade. “É importante que se desconstrua a ideologia de embranquecimento que continua a afetar uma parcela significante da sociedade”, diz a ONU.

Segundo o órgão internacional, “políticos conservadores desvalorizam ações afirmativas, políticas e leis” direcionadas aos afrodescendentes – que têm menos acesso à saúde e educação, menor expectativa de vida, menos cargos públicos e maior presença nas prisões.
O relatório critica as administrações estaduais e municipais, onde “faltam recursos materiais e financeiros para que as atividades possam ser conduzidas”.

O órgão ainda destaca o trabalho de redução do racismo institucional em Pernambuco, com trabalhos de sensibilização e capacitação de policiais, e um grupo de trabalho contra o racismo criado pelo Ministério Público pernambucano.

Segundo o órgão internacional, o foco nos policiais é “importante para transformar a cultura de violência sob pretexto de segurança nacional” – três negros morreram em cada quatro homicídios cometidos no Brasil em 2010.

Justiça

A dificuldade de acesso à justiça pela população negra é, para a ONU, um dos pontos-chave da discussão.

Segundo o órgão, como a sociedade ainda nega a existência de praticas racistas, estas questões acabam não chegando no judiciário e, quando chegam, dificilmente são penalizadas. As Nações Unidas indicam ainda que a polícia atua com critérios “baseados na cor da pele” dos cidadãos.

“O papel da polícia é garantir a segurança pública”, diz o relatório. “Mas o racismo institucional, a discriminação e a cultura de violência levam a práticas de tortura, chantagem, extorsão e humilhação, em especial contra afro-brasileiros.”

Ainda segundo o documento, “o direito à vida sem violência não é garantido pelo Estado”.