ANÁLISE-Setor de consumo se recupera, ações lideram ganhos no ano

ANÁLISE-Setor de consumo se recupera, ações lideram ganhos no ano.

SÃO PAULO, 2 Out (Reuters) – Após protagonizar um cenário de queda generalizada no ano passado, o setor de consumo vem se mantendo na liderança entre as ações que mais se valorizaram em 2012 até setembro, em meio a um ambiente mais favorável para vendas e expectativa de aceleração nos últimos meses do ano.

 

“Os desempenhos relativos e absolutos dos setores de consumo e varejo na bolsa, com poucas exceções, foram excelentes no acumulado do ano”, afirmou o analista Tobias Stingelin, do Santander.

 

“Acreditamos que as histórias de consumo, sem considerar surpresas negativas relevantes, podem continuar a ser beneficiadas por esses fatores no curto prazo”, acrescentou.

 

As empresas ligadas ao consumo sofreram uma desaceleração generalizada em 2011, que se manteve na primeira metade deste ano. Mas as medidas de incentivo adotadas pelo governo desde o fim de 2011 começaram a se refletir na ponta da cadeia neste segundo semestre, resultando em maior otimismo quanto à retomada da economia.

 

Desde agosto de 2011, o BC já reduziu em 5 pontos percentuais a taxa básica de juros, para a mínima recorde de 7,50 por cento ao ano. Posteriormente, o governo lançou uma série de medidas para estimular o consumo e os investimentos do setor industrial.

 

Em julho, as vendas no varejo brasileiro, medidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiram 1,4 por cento ante junho, no segundo resultado positivo seguido e acima do esperado, impulsionadas pela queda da taxa de juros e pelo mercado de trabalho estável.

 

“Olhando para frente, temos a expectativa de que a economia brasileira volte a crescer mais rápido do que nos últimos trimestres, com aceleração já no quarto trimestre e em 2013”, disse o estrategista de Brasil do BTG Pactual, Carlos Sequeira. “Ficamos mais otimistas na direção do fim do ano.”

 

Sazonalmente, o quarto trimestre é o mais relevante para os setores relacionados ao consumo, por contar com o período do Natal, que costuma elevar as vendas no varejo a partir de novembro de 40 a 60 por cento em comparação com um mês comum.

 

HYPERMARCAS E NATURA LIDERAM

 

Se consideradas as ações que integram o Ibovespa, a Hypermarcas registrou a maior valorização no ano até setembro, de cerca de 75 por cento, seguida pela Natura, com ganho de 59 por cento.

 

Nesse período, o principal índice acionário da Bovespa acumulou alta de 4,3 por cento.

 

Apesar do ambiente mais favorável para o setor, o analista Luiz Cesta, da Votorantim Corretora, assinalou que o mercado vem reagindo de forma positiva a notícias específicas dessas companhias.

 

“Hypermarcas fez muitas aquisições em 2009 e 2010, teve uma performance ruim durante a integração em 2011, sem gerar caixa, mas em 2012 apresenta bom ‘turnaround’, diminuindo o ritmo de crescimento e focando em geração de caixa. O mercado precisava retomar a confiança”, disse Cesta.

 

Sobre a empresa de cosméticos, ele destacou os problemas de logística no ano passado, que prejudicaram as vendas. “Em 2012, a Natura vem solucionando esses problemas, sem contar que o mercado de cosméticos segue muito vigoroso no Brasil.”

 

APOSTA EM AÇÕES CÍCLICAS

 

Em meio ao cenário de crise internacional, os agentes de mercado têm priorizado em suas recomendações de investimentos ações cíclicas, mais voltadas ao mercado doméstico e menos expostas à volatilidade externa.

 

“Tenho mais visibilidade de recuperação da economia local do que da economia global… Temos procurado setores que tenham exposição maior à economia doméstica”, afirmou Sequeira, do BTG, citando otimismo com os papéis de Grupo Pão de Açúcar e Lojas Americanas, dentro do setor de varejo.

 

Americanas e Pão de Açúcar acumulam alta de cerca de 43 e de 36 por cento, respectivamente, neste ano.

 

“A expectativa de melhoria das condições de mercado vem fazendo com que o consumo lidere em relação a outros setores”, disse Cesta, da Votorantim. Ele recomenda as ações de Pão de Açúcar e Guararapes, dona da Riachuelo.

 

Embora mais prejudicado, o segmento de vestuário também começa a se preparar para um ambiente mais favorável.

 

“Apesar dos problemas existentes, as expectativas que temos para vestuário no fim do ano e em 2013 são melhores do que vimos no primeiro semestre”, acrescentou o analista da Votorantim, referindo-se ao aumento da inadimplência e ao clima mais quente no inverno que prejudicou as vendas.

 

Stingelin, do Santander, também tem uma visão positiva para o segmento. “Os varejistas de vestuário estão relativamente mais otimistas, enquanto os de eletrônicos estão menos.”

 

O analista aposta na Cia Hering como “a oportunidade mais atrativa de risco/retorno, uma vez que a administração tem mantido baixas expectativas, ao mesmo tempo em que continua a se dedicar à retomada do crescimento”.

 

“Além disso, a ação da Hering é negociada a um desconto para alguns de seus principais pares, um nível injustificado, em nossa opinião”, acrescentou.

 

A Hering tem alta de 43,5 por cento acumulada até o fim de setembro. Fora do Ibovespa, Arezzo e Marisa Lojas também registram fortes ganhos, de 60 e de 47 por cento.

Nesse período, o principal índice acionário da Bovespa acumulou alta de 4,3 por cento.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s