O Brasil chega como favorito

Quando Carlos Alberto Parreira deixou o comando da seleção brasileira após a Copa do Mundo da FIFA Alemanha 2006, poucos esperavam que a CBF chamasse Dunga para o cargo. Afinal de contas, ele não tinha experiência como treinador.
Entretanto, o ex-xerife do meio de campo já havia mostrado as qualidades de líder durante a carreira de jogador, especialmente como o capitão vociferante e incentivador que levou o Brasil ao título da Copa do Mundo da FIFA nos Estados Unidos em 1994. Diferentemente da maioria dos jogadores brasileiros, Dunga compensava a falta de talento natural com uma forte marcação e excelente posse de bola, registrando a marca de 91 atuações pelo país entre 1987 e 1998.

Logo ficou aparente que Dunga não iria selecionar os jogadores pela fama ou pelas conquistas de cada um deles. Ao contrário, e de forma corajosa, o gaúcho passou a não convocar vários craques brasileiros de renome.

Dunga foi imbatível nas primeiras seis partidas comandando a Seleção, incluindo a vitória por 3 a 0 sobre a rival Argentina que levantou o espírito dos brasileiros. A primeira derrota veio no confronto com Portugal em fevereiro de 2007, pelo placar de 2 a 0. O primeiro grande teste do técnico aconteceu na Copa América de 2007, na Venezuela, quando após ter perdido do México logo na sua primeira partida da competição, Dunga levou a equipe até a final e novamente venceu a Argentina por 3 a 0.

O Brasil teve a sua cota de problemas durante as eliminatórias para a África do Sul 2010. Os três empates consecutivos em 0 a 0 obtidos em casa colocaram muita pressão sobre os ombros de Dunga, mas o ex-campeão mundial rapidamente mostrou o seu valor de forma enfática, conduzindo a seleção canarinho ao título invicto da Copa das Confederações da FIFA de 2009 na África do Sul e terminando as eliminatórias sul-americanas na primeira colocação com algumas boas exibições, particularmente as vitórias fora de casa contra o Uruguai por 4 a 0 e a Argentina por 3 a 1.

Numa Copa do Mundo da FIFA, dizer que o Brasil chega como favorito é quase uma redundância. Para os donos de cinco títulos mundiais, não existe opção que não a de brigar por mais uma estrela para a camisa amarelinha. Com alguém que defendeu a Seleção como jogador em três Mundiais, o técnico Dunga sabe a pressão que o aguarda: qualquer resultado que não o hexacampeonato tem grande chance de ser considerado fracasso.

O caminho à África do Sul

A reação da torcida durante as Eliminatórias mostra bem a exigência existente no país. Apesar de terminar na liderança, com nove vitórias, sete empates e duas derrotas, e de ter se classificado com três rodadas de antecedência, a Seleção escutou um bocado de vaias, como na sequência de empates em 0 x 0 em casa – contra Argentina, Bolívia e Colômbia. O time engrenou mesmo a partir de abril de 2009, quando somou cinco vitórias consecutivas, duas delas históricas: 4 x 0 sobre o Uruguai no Centenário de Montevidéu e 3 x 1 sobre a Argentina em Rosário; partida que confirmou a passagem para a África do Sul.

As estrelas

Não é fácil apontar um ou outro nome num país com tanto talento, mas o ano de 2009 serviu para ratificar a importância de alguns jogadores como o goleiro Júlio César, retrato da forte defesa. A campanha na Copa das Confederações da FIFA também consagrou Kaká, que assumiu a condição de líder e levou a Bola de Ouro da adidas, e Luís Fabiano, artilheiro com cinco gols, incluindo dois na virada por 3 x 2 sobre os Estados Unidos na final.

O técnico

Quando assumiu o cargo em agosto de 2006, Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, já havia vivido de tudo como jogador da Seleção: de ser considerado um dos culpados pela decepção na Copa de 90 à alegria de levantar a taça quatro anos depois. Mas a missão de comandar o Brasil foi nada menos que seu primeiro trabalho como treinador. Dunga rebateu as críticas à falta de experiência e à formação supostamente defensiva de forma irrefutável: ganhando. Foi campeão da Copa América 2007 e da Copa das Confederações e classificou os brasileiros ao Mundial com sobras.

Participação anterior

O Brail chegou à Alemanha em 2006 como favorito absoluto para defender o título conquistado em 2002. O mundo estava ansioso para se encantar com o “Quadrado Mágico” formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Embora tenha mostrado apenas relances de magia, o time de Carlos Alberto Parreira bateu Croácia, Austrália e Japão na primeira fase e Gana nas oitavas e chegou às quartas para um reencontro com a França de Zinedine Zidane. Mas a chance de vingar a final de 1998 virou outra decepção com um gol de Thierry Henry, que frustrou o sonho do sexto título mundial.
Números

>> O Brasil chega à sua 19ª Copa do Mundo da FIFA consecutiva. É o único país que disputou todas as edições.

>> O país é também o único com cinco títulos: soma um total de 64 vitórias, 14 empates e 14 derrotas em 92 jogos.

>> Entre 15 de junho de 2008 e 11 de outubro de 2009, a Seleção teve uma série invicta de 19 partidas.

>> O Brasil já terminou 12 anos na liderança do Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola.

O que eles disseram:

“Temos que aprender a viver com a condição de favoritos. Não podemos deixar que isso se torne algo negativo, como já aconteceu em anos anteriores.” – Kaká, após vitória sobre a Argentina que valeu a classificação

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